Aprecia a beleza da neblina e do nevoeiro?

Aprecia a beleza do nevoeiro?

Aprecia a beleza do nevoeiro? E da neblina? Provavelmente, não.

Nem sempre é fácil apreciá-los, sobretudo durante o Inverno: com a neblina o ar fica mais frio e mais húmido. E aqueles dias bem frios de Inverno de persistente nevoeiro cerrado, nos quais mal se vê um palmo à frente do nariz, esses então, não são mesmo do gosto de todos… O que na realidade, é perfeitamente compreensível.

Neblina e nevoeiro são dois fenómenos que me fascinam. São tão naturais o sol a brilhar ou a chuva a cair, o nível de luminosidade decresce e o ambiente fica diferente.

Desde sempre considero que são dias que convidam à reflexão, à quietude, à interioridade, e como que inexplicavelmente, levam-nos a olhar a dinâmica e o rumo da vida com umas lentes diferentes ou com um outro modelo de óculos.

Ainda é noite lá fora, o dia irá amanhecer daqui a cerca de uma hora e 20 minutos. Não faço ideia se este novo dia será de nevoeiro ou de neblina. Imagino que o mais provável é que o Sol nasça para nos brindar com mais um belissimo dia de Inverno, pleno de luz.

Por aqui, aqui dentro, vai ser um dia de nevoeiro cerrado.

Cerrado por muitos motivos. Cerrado pela saudade. Cerrado pela inexplicável sensação de falta e de estranheza. Um dia de nevoeiro, este 15 de Janeiro de 2022, em que não vislumbro como conseguirei levá-lo até ao fim sem aquela risada aberta, sem o cantar dos Parabéns, sem oferecer um presente, sem arroz doce, sem as campainhas dos aparelhos de telefone e de telemóvel a tocar durante o dia.

Os dias de nevoeiro são diferentes. Aprecio a beleza do nevoeiro lá fora, aliás até gosto bastante. Mas deste nevoeiro interno, não. Deixa-me estranha, semelhante a um robô de carne e osso com o sistema central disfuncional.

Com nevoeiro ou com sol, há que continuar, aproveitar o tempo, viver o dia que agora começa. A vida e a morte fazem parte da nossa existência:  aceitar e continuar é o mote. Demais a mais, não estou a vislumbrar alternativa.

Mas não me venham dizer que é fácil: não é. É doloroso.

É mais um caminho, que se faz caminhando, passo a passo, sem esmorecer, mas por vezes com lágrimas obstinadas a rolar pela face. Talvez afinal, elas sejam apenas umas gotas de um nevoeiro tremendamente intenso, que ao encontrar abrigo no calor da nossa face, afagam-no carinhosamente.

O caminho faz-se! Como todos os garotos, a garota tem genica!

É sábado!

Bom sábado e bom fim-de-semana!

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