Tempo de Outono

Tempo de Outono, um ambiente diferente

Gosto do Outono. Aquele ambiente das folhas a cair, os dias mais curtos, com o sol brilhando, mas menos quentes, as noites mais longas e mais frescas.

E chuva. Chuva sem estar frio, nem vento, chuva miudinha que não pára, qual regador regulado para borrifar plantas. Dias cinzentos, que convidam a atividades diferentes. Como este.

Lá em baixo alguém dorme. O silêncio impera apenas interrompido pelo som das teclas e o tilintar do guizo da gata. Lá fora, a natureza continua a deixar cair os seus salpiquinhos de água.

Que tarde perfeita de Outono. É certo que alterou os meus planos, mas já há muito que deveria ter aprendido que é desperdício de tempo e de energia, estabelecer um plano de atividades para um fim-de-semana prolongado. Por isto ou por aquilo, acaba quase sempre por não ser seguido à risca. Ou a não ser seguido de todo.

As portas de casa ficaram por acabar. Ora não podendo terminar a tarefa planeada, de nada serve estar a realizar a devida limpeza, pois terei de terminar as portas logo que o tempo esteja mais seco.

Uma das vantagens da chuva é possibilitar o descanso. É uma grande verdade, daquelas máximas irrefutáveis, senão vejamos: ela rega o jardim por nós, poupando tempo e esforço e ainda economiza água; não se lavam janelas; não se lavam varandas, não se lava roupa, pois não irá secar, logo a carrada de roupa para engomar fica adiada para outras núpcias. Há tempo para algo diferente!

Tempo para ler, tempo para escrever, tempo para cozinhar algo especial, tempo para estudar, tempo para arrumar gavetas, tempo para trocar roupas de roupeiros. Aliás já é mais do que tempo para fazer a troca de roupas, de Primavera-Verão para as de Outono-Inverno.

Mesmo não querendo ficar agarrada ao tempo, certo é que fico, mesmo sem querer.

Não importa: hoje tirei a tarde. Se estou ou não a desperdiçar “tempo”, não importa. Está a saber-me muito bem a descontração do momento. Amanhã logo se verá!

Por aqui, quase tudo o que é vivo, dorme. Excepto eu e a minha gata.

A noção de tempo dos gatos continua a surpreender-me. A gatita mais ou menos de 15 em 15 minutos, vai à porta envidraçada e fica mirando o exterior. Um minuto depois volta para trás, e enrosca-se na cadeira, olha para mim, com um ar enfadado, como que a dizer: “ Ainda não posso ir para a varanda…” Mas não dorme. Agora entreteve-se a correr atrás de uma mosca.

Agora a chuva cai com mais força. É bom. Assenta a poeira e acalma a mente. E no ar, fica o cheiro a terra molhada…

É desta tranquilidade bucólica, a tal que os dias quentes não possibilitam, que eu já tinha saudades.

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