Remédio para quase tudo

Um remédio para quase tudo

Acordei sem noção do tempo. Ainda me sentia cansada, a dor de cabeça tinha melhorado.

Tentei ver as horas. 12:40. Fiz medição de temperatura corporal. Não tinha febre, já era bom.

Sem vontade, saí da cama e comecei a pensar o que fazer com o meu dia.

Subitamente lembrei-me do sonho que tinha tido. Estranho… raramente me recordo de sonhos.

Bom não interessava, era isso mesmo, estava decidido. Dirigi-me à cozinha e meti mãos à obra, mais propriamente mãos no bife que ia cozinhar.

Eu tenho uma filosofia muito simples: há coisas que são remédio para quase tudo. Para mim, uma delas é bifinhos com natas e cogumelos com piripiri e um toque de vinho branco.

Já não comia esse meu prato há uma eternidade. Porquê? É altamente calórico, é tudo frito, leva natas, leva cogumelos e para uns, não pode ser por causa do colesterol, para outros, é complicado porque não gostam de cogumelos, e depois há sempre alguém que está de dieta, pelo que pensando bem, este ano ainda não tinha confeccionado a iguaria.

Eis uma pequena vantagem de estar sózinha. Precisava de recuperar forças e nada como uma boa refeição a gosto.

O segredo dos meus bifinhos está no piripiri e no vinho. O piripiri é colhido na hora no jardim, fresquinho, dá outro sabor. E eu gosto mesmo destes bifes ligeiramente picantes. Depois o gole de vinho branco, não pode ser de um vinho qualquer. Para ficar mesmo gostoso, o vinho deve ter 11º ou mais. Não me questionem porquê, mas isto foi a experiência que me ensinou.

Preparei o bife com bastante molho de natas e cogumelos. Fritei as batatas e polvilhei-as de pimenta preta. Em seguida fui buscar uma frigideira de barro, verti o bife e o molho com cogumelos e afoguei literalmente as batatas acabadas de fritar no preparado. Cheirava bem e estava quentinho. Delicioso!

Nem me ocorreu tirar uma foto. Foi pena!

Quando acabei de comer a garganta picava. O objetivo também era esse. Com piripiri no molho e pimenta nas batatas, não há faringite que resista. Um bom remédio natural.

Comi uma fatia de queijo amanteigado dos Açores com pão e depois preparei a sobremesa: num prato coloquei uma fatia de pão de ló, por cima compota caseira de fruta da época pouco apurada e como topping, um fiozinho de chocolate. Fantástico. Soube-me bem!

Terminei com um café expresso Ristretto Napoli. Após um belo dum repasto, o café tinha de ser forte.

Voltei para a cama. Cerca de meia hora depois, comecei a sentir forças para continuar. Levantei-me e a vida prosseguiu.

No dia seguinte estava melhor. Fosse pelos medicamentos, pelo descanso, ou por um dos meus remédios para quase tudo, o certo é que estava melhor.

Há outra receita de bifes com cogumelos que não é minha, mas que já experimentei, que em vez de vinho branco leva Vinho do Porto e camarão. É também muito boa. Vou guardar a ligação aqui para não ter de voltar a procurar.

Um remédio para quase tudo - Bife de vaca com molho de cogumelos
Bife de vaca com molho de cogumelos e camarão do blog Cinco Sentidos na Cozinha

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