Verdadeiramente irrita-me e muito

Verdadeiramente irrita-me e muito

Verdeiramente irrita-me e muito determinadas coisas da vida, muito simples, daquelas que de antemão sei que a maioria dos viventes ultrapassa, acaba por aceitar e se conforma, mas que eu como garota que sou, não consigo. Ou pelo menos, até ao dia de hoje, não consegui.

Uma delas é a incapacidade de memorizar ou melhor, a deteriorização da função memória com o decorrer dos anos.

Aquilo a que se designou chamar memória durante muito tempo jogou a meu favor. Esta maravilha –  digo eu agora – surgia naturalmente e tornava a minha vidinha muito mais confortável, sem que eu sequer me apercebesse disso.

Por vezes incomodava-me recordar-me de pequenos detalhes, situações, diálogos ou pessoas que não me diziam praticamente nada, mas que sem querer acabava por recordar.

Por exemplo, uma ex-colega menos simpática, arrogante até, com a qual até já nem mantinha contato, nem profissional, nem pessoal e que durante anos a fio, no dia do aniversário dela logo pela manhã ao acordar, zás!, lembrava-me que aquela pessoa fazia anos. De mim para mim, ruminava: Caramba, por que raio estou a lembrar-me disto? Porcaria de memória! Até que num determinado ano, senti-me compelida a telefonar-lhe. Tentei localizá-la, consegui e contatei-a a desejar-lhe um Feliz Aniversário.

Para grande espanto meu, atendeu mesmo muito bem a minha chamada. Aliás, foi super simpática e uns dias depois até fomos tomar um café e conversar um pouco sobre a nossa vida, pasme-se. Creio que das antigas colegas, tinha sido eu a única que após alguns anos, a tinha contatado, demais a mais no dia do aniversário. Mostrou-se sensibilizada. E eu também: ela estava diferente. As pessoas modificam…

Tudo isto, pois… era dantes. Atualmente a minha memória anda a pregar-me partidas. Acho que a minha função memória, especialmente este ano, resolveu tirar férias de Carnaval prolongadas. Desejo profundamente que o ano acabe depressa e que o forró da dita cuja acabe depressa também. Já me está a irritar sobremaneira.

Inicialmente pensei que a questão teria a ver concretamente com o meu trabalho, com a função profissional que exerço… Despiste? Não. Incomoda-me ter de tomar notas, disto, daquilo e do outro é certo, mas despiste não!

Estaria relacionado com os temas a tratar, com o trabalho em si? Seria falta de interesse? Seria que não estava na área certa? Fiz uma análise profunda durante dias e dias. Conclusão: podia até não estar a desempenhar uma função daquelas de sonho, bem longe disso, mas até que gostava e ainda tinha muito a aprender. Então por que motivo de quando em quando, não me lembrava de detalhes importantes? Saber, tinha a noção que até sabia, até já havia tratado de algo idêntico, mas no momento: “blank”! Nada me ocorria! Oh, que raiva!!!

Não, não estou com princípio de Alzheimer, seguramente. Estava só mal habituada.

A pouco e pouco, fui-me apercebendo que não era só com o trabalho. Valha-me isso! Era com quase tudo: as compras de supermercado online, que após o fecho e pagamento da encomenda, falta quase sempre um ou dois produtos necessários; o assunto que tem de ser tratado no dia 17, mas que acaba por ser tratado só no dia 20, porque não me lembrei etc., etc., etc..

Irrita-me, oh se me irrita… Solução: estou mesmo a começar a anotar quase tudo. É uma maçada tremenda. Detesto com todas as letras maiúsculas! Frustante, uma neura! Inaceitável, revoltante!

Para agravar, descobri recentemente que até num dos meus hobbies a tal época de Carnaval está também a acontecer.

Andou esta garota prendada, a tirar um curso da Google, toda feliz, e o fim de semana passado, quando abre o Analytics, não se recorda de praticamente nada? Zip, blank. O mesmo com o pixel do Facebook. Caramba! Já é demais!

Então não me lembro do que aprendi com tanto gosto e esforço pessoal? – sim, porque é hobby, eu não preciso disto no meu quotidiano. Então, quando vou para implementar uma estratégia… Boom! Não me recordo do caminho, qual homem embriagado que quer chegar a casa mas acaba por pernoitar no chão de uma estação de serviço. E agora o que é que eu faço? Desisto?

Ah, mas que nem pensar! Só me faltava mais esta! Lá vai a garota novamente para o curso. Fazer um refresh. Vai ter de ser. E a dita cuja coisa chamada memória que se organize! Não desisto mesmo! De todo!

Queridinha, alô? O teu Carnaval vai acabar em breve!

Prepara-te memória minha! Vou dar luta. E quem avisa, amigo é!

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